Sexta-feira, 1 de Outubro de 2010
Festa de Santa Bebiana

Festa centenária de origem pagã que se realiza no Peso em Dezembro, comemorando a Santa Bebiana padroeira dos amigos e amigas do vinho.


Nas fotos, vemos a procissão percorrendo as ruas da Aldeia do Peso com o Bispo, populares, andor de Santa Bebiana e archotes feitos de pinhas.

 

Histórico da Festa de Sta. Bebiana no Peso

 

Anualmente, a dois de Dezembro, realiza-se uma festa profana, a festa de Sta. Bebiana, padroeira dos bêbados. Alguns dos participantes vestem-se de “Bispo”, e “padre”. Faz-se uma “procissão” com uma imagem fictícia da Santa Bebiana e com alguns archotes improvisados com ps ruas da aldeia. No largo principal da aldeia “o bispo” faz um “sermão”, e a “bênção” dos bêbados. Como não podia deixar de ser bebe-se neste dia bastante vinho, mas também há animação musical com bombos e outro tipo de músdicularizavam-se asortas, fara virem levar a imagem da “santa” na “procissão”. Algumas aceitavam, mas outras tratavam mal quem as ia ridicularizar. 

 

 

 

 

 

  

  

  

 

 

Segundo Cristina Nogueira, autora do livro “Monografia Histórica do Concelho de Belmonte – Novos Contributos”.

 

Santa Bebiana foi uma virgem romana cristã que terá vivido no século IV. Ela e a sua família foram vítimas de um imperador, Juliano Apóstata, que tentava acabar com o Cristianismo e por isso torturou diversos cristãos. Os pais de Bebiana foram mortos e esta foi entregue a uma alcoviteira com a recomendação de que teria de tentar “leva-la por maus caminhos”. A santa terá assistido a festas com elevado consumo de vinho como era característico desta época, mas a jovem nunca se tentou. Como não conseguiu os seus intentos, em 363 d.C., o pretor Aproniano mandou que a amarrassem a uma árvore e foi chicoteada até à morte.Durante a procissão são proclamadas “orações” irónicas:

 

“O credo dos Ébrios"

 

Creio no álcool a 360 graus, todo-poderoso e criador de formidáveis carraspanas. Creio na aguardente sua filha, e minha esposa predilecta a qual foi concebida por obra e graça do alambique, nasceu da puríssima cana e padeceu sob pisão dos moinhos. Foi derramada e sepultada num casco, ao terceiro dia, surgiu da garrafa e subiu graciosa e triunfante à caixa dos pirolitos. Escoou o fundo da caldeira e está no tonel bem rolhada, estando à mão direita das barbas do bagaço, de onde há-de vir alegrar uma grande pândega sem fim; dar nas vistas aos grandes e pequenos, ricos e pobres, doutores e burgueses, santos e diabos. Portanto creio na repetição da pinga, na santa vindima actual, na comunicação dos irmãos do esgota, na renovação das pipas vazias, na bebedeira eterna. Ámen!”.


“O Pai-Nosso do Vinho"

 

Santa uva que estais na parreira, purificada sejais sem enxofre e sem sulfato. Venha a nós o vosso líquido para ser bebido à nossa vontade tanto na taverna como na nossa casa, livrai-nos de quebrar a cabeça. Ámen!”.

 

 

 

 



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Domingo, 22 de Junho de 2008
Como era a Capela Antiga de N. S. de La Salette

 

Capela Antiga

14/08/1864 - Oferta do terreno para uma construção

por Vicente Silvestre e sua mulher Anna Joaquina

28/08/1864 - Arrematação da Capela

ao Pedreiro Eugénio Duarte Pires

 

Imagem

N. S. de La Salette oferecida pelo

Reverendo Vicente Pires Duarte em 28/04/1864

 

Capela Antiga

Altar - Casamento da Capela

Ao fundo o antigo altar

 

Capela Antiga

Coro

Casamento na Capela

Coro antigo ao fundo

Capela Antiga

Escadaria do Santuário

Casamento na escadaria

com uma antiga Capela ao fundo

Capela Antiga

Entrada Principal

Esta Fotografia tem cerca de 80 Anos

 

Como eram as procissões, Cortejos, Arraial e Teatros pela Festa

 

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Domingo, 30 de Dezembro de 2007
História da Paróquia do Peso

 

Breves Apontamentos Históricos

Sobre a Paróquia no Peso

Da Paróquia do Peso, fazem parte as localidades de Vales do Rio e Pesinho

Na Igreja Paroquial existem o altar-mor onde no centro há uma moldura da custódia para exposição do S. Sacramento e as imagens de N. S. de Fátima e Santa Maria Madalena. Há lateralmente, um altar a N. S. das Dores com imagem do Anjo S. Miguel Arcanjo, um altar ao coração de Jesus e ainda um altar dedicado às Almas com a imagem de Cristo retratado no lenço de Verónica, ladeado à esquerda por um Anjo com um martelo e um alicate numa das mãos e à direita outro Anjo com a vassoura. Há outro altar a N. S. do Carmo com uma imagem de Cristo Criança.

 

Para além dos altares referidos, existe uma capela interior com um altar em honra do Santíssimo Sacramento e onde estão colocadas as imagens de Santa Bebiana, N. S. da Conceição, Santo António e N. S. do Rosário.

 

A Igreja remonta ao século XII, acrescentada em 1793 e reconstruída anteriormente a 1940.

 

Monumento a N. S. de La Salette, senda grande a devoção que lhe é dedicada, realizando-se a sua festa tradicional no 2º Domingo de Setembro de cada ano. A localização é fora da povoação, numa colina próxima, existindo um recinto com um coreto. A capela foi edificada em 1864 mas o culto é de 1858. Esta devoção aparece no Peso por força da aparição em França no ano de 1846. Em 1946 comemorou-se com toda a solenidade o centenário da aparição, sendo oferecida pelas mães da Freguesia uma coroa em filigrana de prata. No santuário existe também uma Capelinha em honra do Mártir S. Sebastião.

 

Capela do Senhor dos Passos, Capela construída em terrenos cedidos pelo Visconde da Borralha, situa-se ao cimo do Povo e aqui se celebram as exéquias da Quaresma. Estas exéquias ou Passos são das mais antigas, com cânticos apropriados e pertencentes exclusivamente ao Peso. A população nunca divulgou demasiado estes actos tradicionais, para manter a autenticidade e a religiosidade e evitar que o que existe de autêntico e de fé se transforme num « espectáculo» e dai tombe facilmente para o comércio. Esta Capela já sofreu obras de restauro.

 

Capela do Divino Espírito Santo, situa-se dentro da povoação e têm referência na documentação da Torre do Tombo. O Altar é barroco com talha dourada e ali existe uma imagem do ano 1600. A  festa do Espírito Santo realiza-se anualmente, sete semanas após a Páscoa

 

Outros documentos

Extraídos na Câmara Municipal

 

 

Percursos de uma História Secular

 

Peso / Covilhã

 

 Está localizada na margem direita do Rio  Zêzere, a pouco mais de 15 km da Covilhã, pela En 513. O pároco Manuel Fernandes, que redigiu as Memórias Paroquiais de Peso, no ano de 1758, descreve-a como "situada em um pequeno alto, abas ou braço da Serra da Estrela, fronteira ao Rio Zêzere que junto a ela corre: dela não se descobre povoação alguma, mais que a aldeia do Pezinho, anexa a esta, em pequena distância...". Andavam então anexos à paróquia, não só o Pesinho, mas também os Vales e a Coutada.

 A matriz de Santa Maria Madalena dependia da de Santa Maria Madalena, na Covilhã, que apresentava o pároco. Já é mencionada a Capela do Espírito Santo. A matriz tem um recheio importante, com destaques para a custódia do altar-mor e para as imagens de Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora da Conceição, Santa Maria Madalena, Santa Bebiana e Santo António. No altar das Almas, a imagem de Cristo, com o lenço da Verónica, está ladeada por um anjo empunhando um martelo e um alicate e outro que empunha uma vassoura. No altar de Nossa Senhora do Carmo, a imagem de Jesus apresenta-o como criança. Na Capela do Santíssimo Sacramento, existe muito boa talha dourada e o tecto é pintado e muito belo. A igreja inicial deve dotar do século XIV, tendo sido reformados nos finais de setecentos e novamente, em meados do século passado.

Numa colina próxima, o povo construiu uma capela de Nossa Senhora de La Salette, nos meados do século XIX. A capela e o local atrai muita gente, especialmente no Verão, aquando das festas que ali se realizam no 20Domingo de Setembro. A capela foi reconstruída ou melhor, construída de -novo na década de 60 do século passado, altura em que era o grande ponto de referência para as muitas famílias de emigrantes da terra e da região. A emigração é aliás o fenómeno mais marcante do ponto de vista económico, social e demográfico das últimas décadas. Actualmente já vão aparecendo algumas pequenas indústrias de confecção, de plásticos e de construção
civil. O artesanato tradicional dedicava-se ao fabrico de mantas de orelos eà cantaria de granito.

 

Existe uma feira mensal, no 20 Domingo de cada mês.

Do património edificado, além da Igreja Matriz, haverá que referir a Capela do Divino Espírito Santo, com a sua festa, cinco semanas após a
Páscoa, Santa Bebiana que tem altar na Igreja Matriz tem a sua festa no dia 2de Dezembro. Durante a Semana Santa, realizam-se celebrações públicas que congregam muitos fiéis, como sejam a Procissão do Encontro e a Venda do Ramo já no dia de Páscoa. Na Quaresma faz-se a tradicional Encomendação das Almas. Esta "encomendação" é uma espécie decanto, arrastado e lento quase lamentoso em que uns respondem aos outros com orações relativas ao Salvador e aos seus padecimentos.

Quem visitar o Peso deve reparar também
no casario tradicional que se vai perdendo nas fontes populares.

As principais colectividades são a Associação da Juventude do Peso e o Centro de Dia do Peso.
 

 

PESO


Com uma população a rondar os 1000 habitantes a Freguesia do Peso, está situada a cerca de 15 km da Sede do Concelho. Não há dados concretos sobre a origem do seu nome. Segundo Pinho Leal" a palavra peso vem do substantivo latino -pondo -o que é susceptível de ser ponderado. Também se chamava peso à balança e havia uma certa medida que se chamava arratel, há também em Espanha a moeda chamada peso".a Lenda popular é como tantas outras, diferente e imaginativa, conta-se que, "um dia um almocreve cruzou o rio de saco às costas, na travessia perdeu alguma mercadoria, não se dando conta do facto, quando chegou à outra margem, terá dito, ó que Pesinho! Já antes teria dito, ó que peso! E assim chegando ao conhecimento popular puseram os nomes de Peso à margem
direita do rio Pesinho, à margem esquerda", mas também há conhecimento que já lhe chamaram Peso daquém e Peso dalém.


A Freguesia tem indústria de confecção, plásticos, serração de madeiras, panificação, serralharia civil, construção civil, distribuição de produtos alimentares, pequeno comércio e agricultura. Também fazem mantas e passadeiras de orelos. Tem de   Património Edificado: a Igreja Matriz, Capela do Divino Espírito Santo, Casario Tradicional, Fonte do Mergulho, do Chafarizito e Ribeiro da Canada, Capela do Sr. dos Paços, Capela do Mártir Sº Sebastião, Santuário de Nª Sr.ª de La Salette, Capela da mesma Santa tem um mercado mensal no segundo domingo de cada mês.


Fazem as festas de Nossa Senhora de La Salette no segundo domingo de Setembro, Divino Espírito Santo cinco semanas após a  Quaresma, Santa Bebiana, a 2 de Dezembro e Encomendação das Almas, na Quaresma, com a Procissão do encontro na Quinta Feira Santa e a venda do Ramo no Domingo Gordo. Em termos de cultura, desporto e solidariedades social, tem: Associação da Juventude do Peso e Centro de Dia do Peso.

 

Igreja Matriz -Orago, Santa Maria Magdalena

 

CONCELHO DA COVILHÃ E MEMÓRIAS PAROQUIAIS DE 1758

Peso


RESPOSTAS AOS INTERROGATÓRIOS


Ao primeiro interrogatório se responde que


1 -  Esta terra he Lugar de Pezo fica em Provincia da Beira, no Bispado,e Comarca da Cidade da Guarda, he Freguezia de Santa Maria Magdalena, anexa de si mesma da Villa da Covilhaã.


2  -  Que he DeI  Rey  Nosso Senhor.


3  -  Tem este Lugar do Pezo, quarenta e tres vezinhos: homens setenta, equatro:, mulheres setenta, e huma rapazes vinte, e nove: raparigas vinte, e sette; e toda a Freguezia, contadas as anexas, que no sexto interrogatorio se declarão pellos seus nomes. Tem cento, e trinta, e tres vizinhos; homen, duzentos, e dez: mulheres duzentas, e cinco: rapazes settenta, e cinco: raparigas oitenta, e oito.


4  -  Esta situada em hum piqueno alto, abas, ou braço da Serra da Estrella, fronteira ao Rio Zezere, que junto a ella corre: della não se descobre povoação alguma, mais que a aldea do Pezinho, anexa desta, em pequena distancia, porque  se metem algumas fazendas de huma, e outra, comezmo Rio Zezere.


5  -  Nam tem Termo, mas sim pertence ao Termo da Notavel  Villa da Covilhaã; e dista desta duas legoas.


6  -  Que a Parroquia existe no mesmo Lugar: Tem tres Lugares ou povoações anexas; que sam Pezinho: Valles: Coutada: tem o Pesinho
dezassette vezinhos: Valles quarenta: Coutada trinta, e três.


7  -  Tem por Orago Santa Maria Magdalena, e esta no Altar Maior; alem deste tem mais tres; a saber hum do Santissimo Sacramento, no qual estam as Imagens de Nossa Senhora da Conceição: e de Sancto Antonio, este à parte esquerda, e aquele á parte direita: outro de Nossa Senhora do Rozario, neleexiste a Imagem da mesma Senhora. Fica este á parte esquerda: outro da direita com huma Imagem de Christo Crucificado: nam tem nave alguma: há hem ella quatro Irmandades: do Santissimo: da Senhora do Rozario: das Almas:
e do Divino Espirito Sancto."


8  -  O Parroquo he Cura, a este apresenta o Prior de Santa Maria Magdalena, da Villa da Covilhãa; a quem pertence por ser tambem Prior desta,e, do seu rendimento dará conta.


9ª, 1oª, 11ª, 12ª  -  Não ha couza alguma que se responda.


13, 14  -  Tem huma Ermida do Devino Espirito Sancto; proxima a estaterra. Tem outra no Lugar da Coutada, anexa desta como dito fica comInvocação de S. Sebastiam, fora dele e em pequena distancia, aesta, concorremmuitas pes"oas em Romagem em todo o tempo; mas principalmente no do Verão; ja foi mais frequentada do que no prezente tempo. Outra no Lugar de Valles, com Invocação de S. Antonio; e junto a esta mesma anexa esta outra,que pelos tempos se arruinou, tinha por titulo: a Capella de Sancta Margarida; dizem que foi sua mina, cauzada do terromoto de mil, sete centos, e sincoenta, e cinco. Sam todas estas tres Ermidas pertencentes a esta matriz do Pezo.

Tem mais huma no Lugar do Pezinho com o titulo de S. Pedro; de que headministrador, e senhorio o Prior de S. Salvador da Villa da Covilhaã.


15  -  Os frutos desta terra em maior abundancia, são: senteio, trigo, milho groço, e pequeno: feijam; azeite; linho; castanha; algum vinho; e mel.


16  -  Governa-se com tres Juizes Espadanos; hum nesta terra, ou em Pezinho: anexa desta, e os mais, hum em cada huma das anexas acima referidas: sojeitas ao Juiz de Fora, Camara Villa da Covilhaã: donde he Termo.


17, 18, 19  -  Destes não ha cousa, que se diga, ou responda.


2o  -  Não tem correo: servese do das Villas da Covilhaã, e Fundão tanto para Lisboa, como para outras partes deste Reyno: No tempo de Veram continuamente chega nestas Villas no sabado, e no Inverno no domingo; e dasditas Villas parte sexta feira.


21  -  Dista esta terra da Cidade da Guarda, Cappital do Bispado, oito legoas e de Lisboa, Cappital do Reyno, quarenta e nove.


22, 23, 24, 25  -  Não ha cousa alguma.


26  -  Não houve em toda esta Freguezia mina alguma pelo terramoto demil, sete centos e sincoenta, e cinco: somente na Cappela de Sancta Margarida,que esta junto ao Lugar dos Valles, de que se faz menção no interrogatorio 13e ainda se acha nesse estado.


27  -  Não ha em toda esta Freguezia, cousa alguma digna de memoria,mais do que o que se serve em hum citio junto a esta terra, chamado Os barros; e que semeando-se de senteio ou trigo, como se costuma, cada dois annos, pello meio distancia, ou largura de vara, e meia, não produz, não obstante que nasce no tempo em que hade principiar a tomar espigas, pode acausa ser o da terra amarela; dizem que por causa, o ter por ali passiado huma grade de ouro; o que s6 consta por tradição antiga.


Ha outro citio chamado a Charneca, em hum valle, junto a esta terra, proximo esta a estrada que vai desta mesma terra para o Lugar dos Valles, noqual esta huma pequena barroca, onde se tem tirado algum ouro ha muitosannos athe o presente, neste se viram homens na diligencia de o tirar, lavando a terra em pratos, se dita a sorte ajuntam algum, mas em pouca quantidade, e munto miudo.


A respeito da Serra se responde


Não tem a serra, em que esta situada esta terra, nome proprio; por ser um pequeno monte, e sim de hum que corre junta a ella, braço da Serra da Estrella, como ditto fica, donde sahem, e procedem todas as mais serras e montes dequazi toda esta Provincia da Beira: e como em huma grande concavidade,que forma esta Serra de Estrella, se acha fundada a VilIa de Manteigas, junto ás partes mais montuosas, e agrestes, delIa; em hú grande monte, braço da mesma, a Notavel VilIa da Covilhaã. OelIa darão noticia larga os Reverendos

Parrocuos das dittas VilIas. Somente digo, que dista desta terra o mais altoquasi tres legoas, aonde forma huns cittios, ou valIes, que chamam: Naves,nas quaes se elementão muitos gados grossos, e miudos no tempo de Veram, porque no Inverno pelIas continuas neves, que as cobrem se fazem inhabitaveis.


Entre outros mais rios, que delIa sahem, e nascem, he hum Rio Zezere.


Do Rio desta terra


Ao primeiro interrogatorio se responde que se chama o rio, que junto a esta terra corre, Zezere, nasce junto aos dois mais altos pinhascos da Serra da Estrella, chamados o Cantaró Gordo, e outro Cantaro Magro, ou Delgado; do seu mesmo nascente, traz logo o seu nome.


2  -  Principia pequeno, mas pelas suas continuadas fontes, e regatos, que para elle correm se faz em pouca distancia, cai arrebatado; e correndo distancia de duas legoas se ve já caudaloso aos aredores da Villa de Manteigas, e desta sempre corre junto a esta terra grandemente crescido, pelas muntas ribeiras que com elle se ajuntam; desta sorte continua a sua corrente sempre arrebatada,
e fruriosa em toda a parte, mas principalmente enquanto corre entre os montes da serra.


3  -  Não entra em ele ate esta terra outro algum rio a que se de tal nome, mas sim muitas ribeiras grandes, das quais a maior a que se pode dar o nome de rio, he a Meimoa, porque faz competencia com o mesmo Zezere, tanto na abundancia de agoas, como na criação de peixes, de que abunda como o mesmorio, neste entra em hum sitio chamado a Quinta do Ortigal junto, ou em pouca distancia desta terra.


4, 5,  -  Não he navegavel, nem capaz de embarcaçoens, pelo arrebatadodo seu curso, e corrente, pela aspereza das terras por onde corre, principalmente desde o Lugar do Curondo athe ao Tejo, onde entra, e morre.


6  -  Corre este rio de nome, em que nasce distancia de cinco legoas ao nascentee, dahi ao chul, aondea caba.


7  -  Os peixes que mais cria, e de que abunda sam: barbas; bagas; picoens; eyros; cada qual em seu genero de bastante grandeza, tambem nelle se criam bastantes trutas; e muntas vezes alguns saveis e lampreias.


8  -  Não se fazem em ele pescarias grandes: alguns homens pobres seoxorcitao em elles procuram por este meio algum sustento: mas as mais só sefazem por divertimento.


9  -  São estas pescarias livres em todo o rio, menos naqueles citios, aondeha alguns asudes, ou caneiros particulares, que nestes somente os senhorios delles pescão.


10   -  Não só em esta terra mas em todas as mais se cultivão as suasmargens pellos donos, e senhorios dellas, cada hum nas testadas das suas fazendas: não tem arvoredos notaveis, de que se possa ou deva fazer especial menção mais do que os que fabricam os homens, pa defeza das suas fazendas.


11, 12, 13  -  Não se conhece, nem se sabe que as suas agoas tinhão virtude alguma particular. Conserva sempre 'o mesmo nome em toda a parte, e não ha memoria, queem algum tempo tivesse outro nome. Morre no Rio Tejo, junto á Villa de Punhete.


14  -  Tem alguns asudes, em que são de maior grandeza, he hum junto ao


Lugar do Barco distante desta terra, huma comprida legoa, e da Ponte Pedrinha, que no interrogatorio seguinte se da conta duas legoas: Outro junto do Lugarda Barroca, que dista desta terra tres legoas: estes pela sua grandeza, e fortaleza dizem faz reprezar o rio que remonar em eles anticipadamente corre o rio mais brando, e sossegado. Aos tais asudes aonde chamam vulgar mente
caneiros em que particularmente os seus donos, e senhorios pescam; comofica ditto no nono interrogatório.


15  -  Tem quatro pontes. (Já mencionadas noutras Freguezias).


16  -  Tem lagares, azenhas, moinhos, e noras, e cada hum destes engenhosem abundancia; menos os lagares.


17  -  Não consta que neste rio se tenha tirado, ou tire ouro.


18  -  Das suas agoas uzam os povos para os seus campos livremente, e sem pensão alguma.


19  -  Tem desde o seu nascimento athe onde acaba vinte, e duas legoas pouco mais, ou menos. Sem outra couza alguma mais digna de memoria, que se haja de dar conta nos interrogatorios supra: e por ser verdade que tudo mando fazer este, que assignei.


Pezo, 15 de Abril  he 1758

 

 



publicado por Peso minha Terra às 11:29
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História da Associação da Juventude do Peso

 

Associação da Juventude do Peso

 

Ano de 2000

 

25º Aniversário

 

PASSADO – PRESENTE – FUTURO

 

Esta brochura só foi possível graças ao apoio do

 

Instituto Português da Juventude

 

Passado

  

   A Associação da Juventude do Peso (AJP) foi o corolário natural no Peso do abanão político no País em 1974.

  Não se pense que foi só depois do 25 de Abril que trouxe o associativismo ao Peso. Já na década de 60 havia associativismo, embora sem o carácter legal, pois os tempos eram outros, o regime salazarista - fascismo -não o permitia.

   Recordo-me e felizmente ainda há muita gente viva, que se recorda de uma grande equipa de futebol que existiu no Peso. Faziam parte dessa equipa nomes como o José Grancho (pai do Joaquim, Zé, Raul, Manuel, Tó e Paulo Grancho), que chegou a ser chamado para jogar no Oriental de Lisboa; também foram jogadores o Júlio, o Zé Arrebenta, o Tó Folholha, o Luís Morais, o Tó Redondo, o Tó Galito, o Tó Pedro, o Raul Paródia, o Joaquim Rebelo, o Tó Pinguelas, o Tó Guerra, o Raul Folholha, o Fernando Macau, o Artur Pilau, o Zé Vaz, o Tó Vaz e tantos outros.

   A cor dos equipamentos variou um pouco ao longo dos anos, mas o mais antigo era à Futebol Clube do Porto, ou seja, camisolas com listas verticais alternadas de branco e azul e calção preto. Também houve camisolas pretas com uma faixa branca -para se diferenciar um pouco do equipamento da

Associação Académica de Coimbra; camisolas brancas com uma risca vertical no peito, à Ajax de Amesterdão.

  As cores actuais da AJP são resultado da cor desse equipamento à Porto.

  O campo de futebol era em terreno aonde actualmente está a Serração e só depois, mas antes do 25 de Abril, é que foi feito aonde actualmente se encontra.

  O terreno foi cedido por diversos proprietários que assim prescindiu de um bem privado para benefício de toda a comunidade; o arranjo foi apoiado por peditórios públicos, Câmara da Covilhã e os balneários foram construídos pela firma António Joaquim Maurício que o utilizou, como estaleiro, enquanto se arranjou o troço de estrada entre Vales do Rio e o Barco.

   Para além de futebol os jovens do Peso também gostavam de outras actividades desportivas, culturais e recreativas.

   Falemos de teatro, aonde muita gente se recorda, há já muitos anos, alguns 45 anos ou mais, dos nomes do ti António Morais e do ti António Pires.

   Pelo teatro passaram também o Abílio Abrantes, Tó Grancho,

   Manuel Paulito, Tó Pedro, João Sacristão, Virgílio Morão, Aníbal Alegre, o saudoso Ângelo Amaro, Maria Rebela, Lurdes Paulita, Patrocínia Valentim, Arminda Aleixo, Margarida Proença, Lurdes Bonifácio, Judite Madeira, e as saudosas Maria Sardinha e Teresinha Ferraz. Propositadamente deixei alguns nomes para o fim, por serem todos descendentes do ti António Morais: o Tó, o Zé, o Luís e o Fernando Morais, assim como a Elvira e a Lurdes Morais. Pode dizer-se que a família Morais tinha o bichinho do teatro

   Os teatros realizavam-se no Salão Paroquial. Raro era o ano em que não se realizavam duas ou três sessões de teatro, quase sempre repetidas uma semana depois. Normalmente não havia festa de Nossa Senhora de La Salette, Natal e Passagem de Ano em que não houvesse teatro.

   O teatro era constituído por peças teatrais, como é óbvio, mas também por danças e cantares regionais.

   Quem ensaiava normalmente eram pessoas com alguma cultura, como não podia deixar de ser, para o bom êxito das representações e neste campo há quatro nomes que me indicaram e eu próprio me recordo: o Sr. Padre Pereira, a D. Lurdes do Sr. João Belarmino, a D. Mimi e o Sr. Abílio Abrantes.

   Para fazer os cenários em papel e pintá-los, era o Fernando Santos Baptista o especialista, embora fosse ajudado por alguns filhos do SI: Artur Morão.

   Já no final da década de 60, durante o Verão, alguns jovens faziam bailes públicos ao domingo, com a aparelhagem sonora da Igreja.

   Era curioso que o espaço de tempo que mediava a hora da saída da missa -cerca das 13h. -até à hora do baile começar - cerca das 16h.- Era aproveitado por esses jovens que utilizavam o microfone com o som ligado aos altifalantes colocados no cimo da torre da Igreja, para fazerem um género de programa radiofónico.

   Para além do gozo que lhes dava, esta iniciativa servia como propaganda publicitária ao baile, chamando ao adro da Igreja as encantadoras raparigas da nossa terra.

   Realço os nomes de alguns jovens que tinham o bichinho da locução como o Quim Redondo, Gabriel Vaz, Mário Bernardo e o saudoso Aníbal Casteleiro, com o apoio técnico do saudoso Ângelo Amaro.

   Por mero acaso, ou talvez não, nenhum dos jovens locutores se ajeitava a jogar futebol!

  Perante isto é evidente que a sede de todas estas actividades era o Salão Paroquial do Peso. Por isso mesmo merecem aqui uma referência elogiosa e de respeito os Senhores Padres António Pereira e Mário Bizarro da Nave, pelo apoio que sempre prestaram à juventude.

   Apesar de não estar legalizado, o grupo de jovens era conhecido pelo Grupo Desportivo do Peso quando as actividades se relacionavam com futebol; quando as actividades eram de carácter cultural ou recreativo a designação mudava de nome - não viesse por aí a PIDE/DGS a chatear -e a juventude abrigava-se no nome de JAC -Juventude Agrária Católica.

   Em Agosto de 1969 surgiu o primeiro conjunto musical no Peso: O Conjunto ISA SOTNAS. Era formado pelo Abílio Abrantes (vocalista), Artur Aleixo (viola solo e compositor musical), o Luís Morais (bateria), o Zé Baptista (bandolim e compositor das letras) e o Zé Morais (acordeão).

  Este "famoso" conjunto actuou a 1.a e única vez na noite de teatro que se organizou no sábado da festa de Nossa Senhora de La Salette em

   Setembro desse mesmo ano.

   Com o desaparecimento do  ISA SOTNAS surge o conjunto musical SIAROM.

   Uma vez mais a família Morais puxa pelos galões artísticos e cria este conjunto, com o seu próprio nome lido ao contrário.

   Faziam parte, como é evidente o Zé Morais (acordeão), o Luís Morais (bateria), o Belarmino Baptista (castanholas) e o João José (ferrinhos).

   Os ensaios do conjunto eram feitos na casa da "Tulha". A casa da tulha era um local aonde a casa agrícola "Casa Franca" guardava os cereais -milho, trigo e centeio.

  Esta casa situava-se no mesmo local aonde actualmente é a casa de habitação e Café do Sr. Joaquim Abrantes Ferraz.

  Depois os conjuntos começaram a profissionalizarem-se, devido à acção fiscalizadora das Repartições de Finanças.

  O SIAROM desiste nesta fase mas surge um outro conjunto no Peso, o WAR

  Este conjunto era formado pelo Artur Aleixo, João Luís (veio a ser substituído por um jovem do Fundão chamado Luís Moreira), João Olímpio, João José e Abílio Abrantes.

  As deslocações entre o Peso e o Fundão nunca foram fáceis! Já na altura fazia falta a Ponte entre o Peso e o Pesinho e continua a fazer falta...Por este motivo o jovem do Fundão não tinha muitas hipóteses de se deslocar e desistiu de fazer parte do conjunto.

   Terminava assim o Conjunto WAR.

   A juventude não baixava os braços. Rei morto, rei posto. Acabou o WAR, começou o Conjunto ORIGEM.

   Os seus membros eram precisamente os mesmos do Conjunto WAR, mas sem o jovem do Fundão. Entrara, como vocalista, o Basílio Pires, mas por pouco tempo. Portanto, tudo juventude exclusivamente do Peso. Continuou o Conjunto ORIGEM ainda por bastante tempo.

Surge nos finais dos anos 80 um novo conjunto no Peso. Este diferente de todos os anteriores, pois dedicava-se à divulgação da denominada musica popular portuguesa, às raízes folclóricas. O seu nome era o SOM D' AQUI.

   Fizeram parte deste conjunto o Zé Vaz, Rui Duarte, António Ferreira, Zé Redondo, Armindo Duarte, Zé Carlos Sardinha, a saudosa Ilda Sardinha, Fátima Aleixo da Silva, ‘ Virgínia Bernardo Pinto e a Leonor Bernardino.

   Foi pena este conjunto ter desaparecido, pois a divulgação da música popular torna-se uma necessidade. O SOM D'AQUI sabia fazer essa divulgação, com sabedoria, com categoria.

 

  Em finais de 1973, início de 1974, alguns jovens, parte deles alunos do Seminário do Verbo Divino no Tortosendo deram uma designação ao associativismo no Peso: G. D. C. P. -Grupo Desportivo e Cultural do Peso.

  Desse grupo de jovens faziam parte, entre outros, o Abílio Abrantes, Artur Aleixo, Basílio Ferreira Pires, João José Vaz, João Luís Baptista, João Olímpio dos Santos, Paulo Ferraz, Raul Sardinha Grancho, Vicente Oliveira e o Vicente Proença.

   Em Dezembro de 1974 reuniram-se no Salão Paroquial do Peso os jovens de ambos os sexos que habitualmente residem no Peso. Resolveram criar uma associação para fins culturais, desportivos e recreativos. A Direcção ficou constituída pelo João Luís, Zé Baptista e Arlindo de Matos. Os nomes dos elementos dos outros órgãos sociais não os possuo, mas sei que se mantiveram quase todos os membros do extinto G.D.C.P. Também fizeram parte algumas raparigas, como a Mirita Ferreira, Beta Mateus Casteleira, Adozinda Bernardo, Odete Abrantes, Fernanda Machado, Femanda Aleixo e a saudosa Maria Sardinha.

   Para angariarem fundos, realizaram um teatro no dia 29 de Dezembro de 1974, levando à cena a peça "Auto da Barca do Inferno" de Gil Vicente.

   N o dia 31 de Dezembro patrocinaram uma corrida de atletismo, aonde se revelaram excelentes praticantes alguns jovens do Peso.

   As provas de atletismo de então, onde chegaram a participar atletas federados, tornaram-na de importância relevante ao nível concelhio e distrital -na altura tudo se resumia a uma pequena colectividade de grandes sonhos onde o futebol e o atletismo eram rei e rainha. O futebol chegou mesmo a militar no distrital de Castelo Branco, sempre com insuficiência de meios e bastante carolice.

   Com a colaboração do conjunto ORIGEM realizaram um baile de fim de ano.

  Depois foi a realização duma Campanha de Alfabetização, auxiliados por duas jovens professora primárias do Peso, a Isabel Duarte Proença e a Lusitânia Filipe Ferraz.

   Em seguida procederam à LIMPEZA DAS RUAS, varrendo-as e colocando bidões para recolha do lixo.

   Em 19 de Fevereiro de 1975 a Direcção da A.J.P., a Comissão Administrativa da Junta de Freguesia e a população em geral, em abaixo-assinado remetido ao Sr. Bispo da Guarda e tendo em vista a construção de um PARQUE DESPORTIVO POLIVALENTE, podia ler-se:

 

   “.que o local indicado é um terreno inculto pertencente ao Passal, por se situar junto das Escolas Primárias, Cantina Escolar; Casa do Povo e Posto Médico... solicitam a V Ex.ª Reverendo a fineza de nos ceder este terreno que irá ser utilizado para benefício do Povo."

   Efectuaram-se algumas reuniões com o ENDO -Encontro Nacional do Desporto, a fim de ser concedida uma verba para construção dos balneários públicos e de um campo desportivo polivalente.

   Em virtude da Casa Paroquial se encontrar degradada, precisando de obras de remodelação, houve necessidade de se sair do Salão Paroquial. Procedeu-se então à criação duma sede provisória, transformando um antigo forno e padaria em sede social.

   Em Agosto de 1975 foi feita a 1ª Festa ao Emigrante, com a realização de provas de atletismo, baile e futebol.

   Seguiu-se a legalização da associação. Foi escolhido, com consenso unânime, o nome de ASSOCIAÇÃO DA JUVENTUDE DO PESO em Assembleia-Geral de associados previamente realizada na Cantina Escolar.

  No dia 16 de Outubro de 1975 na Secretaria Notarial da Covilhã é feita a escritura de constituição da A. J. P. com a presença dos seguintes cidadãos do Peso: António Grancho Sardinha, António José Pereira Casteleiro, Artur Pereira dos Santos, João Pereira dos Santos, José Martins Pires, José Pereira dos Santos, José dos Santos Baptista, José Sardinha Grancho e Raul Sardinha Grancho. No dia 26 de Outubro de 1975 são os estatutos publicados no "Notícias da Covilhã". Seguiu-se a publicação dos estatutos no "Diário do Governo" nº 270 - III Série de 21 de ,Novembro de 1975, páginas 9183 e 9184.

   Em 21 de Dezembro de 1975 foi eleita a única lista concorrente às eleições da A.J.P. para a dirigirem no ano de 191.6 e era assim constituída: Virgílio do Nascimento Matos; Fernando José Gonçalves Casteleira; Joaquim Hercílio de Oliveira Sacramento; António Grancho Sardinha; José Pereira dos Santos; José dos Santos Baptista; Emídio dos Santos Sardinha; João de Jesus Aleixo da Silva e Valentim da Costa Martins.

   Para dirigirem os destinos da A. J. P. no ano de 1977 foram eleitos os seguintes elementos: Virgílio Silva de Jesus, Fernando José Gonçalves Casteleira, João dos Santos Sardinha, António Madeira Varandas, Valentim da Costa Martins, Virgílio do Nascimento Matos, Joaquim Silva Santos, João de Jesus Aleixo da Silva e Raul Proença Paulo.

 

 

 

Presente

  No ano da celebração dos 25 anos da Associação da Juventude do Peso -Ano 2000 -os elementos directivos são:

  Assembleia-geral -José Pereira dos Santos; Vicente Sardinha e José Ilharco. Direcção -Rui Manuel Cruz Ferreira Amaro; Paulo Jorge Proença Oliveira; Rodney Pereira Rocha; Miguel Madeira; Rui Leandro; Carlos Casteleira; João Pedro Casteleira; Sérgio Redondo; Joaquim Silva; Conselho Fiscal -Carlos Alberto Domingos; João Pedro Sardinha Baptista e Paulo Bernardo.

  Fazendo parte de uma comunidade que é constituída por 749 habitantes, segundo os dados provisórios do último recenseamento geral da população, e com os objectivos anteriormente mencionados, a sua actividade move-se, actualmente, em redor de dois pólos importantes: a construção da sua nova sede social, pavilhão desportivo e a realização de um torneio de futebol de salão reconhecido pelas instituições desportivas do concelho e do distrito

   Possuidora de 584 associados nos quais estão incluídos muitos que outrora, por outras paragens, procuraram melhor modo de vida, é hoje a única colectividade cujos corpos directivos eleitos determinam a promoção de actividades de grande importância para a manutenção de valores importantes a qualquer sociedade: desporto, lazer e educação cívica.

  Para a concretização destes objectivos são levadas a cabo, anualmente, actividades (muitas delas com a carolice de outrora) tendentes a promover o desporto, quer nas camadas mais jovens com a organização de pequenas torneios, quer nas camadas seniores.

   Estas actividades estão ligadas com o ténis de mesa, tiro ao alvo com arma de pressão, atletismo, jogos de salão, entre outros.

   Patrocina-se também uma escola de música, aulas de ginástica de manutenção e um núcleo de karaté.

   Já em sede própria têm lugar colóquios ligados a temas da juventude, de saúde pública, assim como a realização de exposições de pintura, de artesanato ou feira de livros.

  Um torneio -anualmente realizado -tem vindo a proporcionar momentos de civismo sem paralelo nas vizinhanças.

   Trata-se do torneio da A. J. P. que decorre nos meses de Junho, Julho e Agosto. O seu interesse é manifestado pelo número de equipas regularmente participantes onde se encontram representadas empresas da freguesia e arredores, associações desportivas regionais e particulares.

   Os objectivos de quem organiza e participa atingem aqui uma simbiose perfeita onde estão presentes os interesses da promoção desportiva e cívica dos intervenientes.

   Por outro lado também, e de igual importância, é a promoção social, não apenas a nível local. O tempo da sua realização inclui o mês de Agosto, nele participa a população local e das aldeias vizinhas e, ao mesmo tempo, parte da comunidade que durante o ano está ausente: os nossos emigrantes.

  Eis aqui um importante papel cumprido por uma pequena colectividade, que lhe deve ser reconhecido e apoiado pelas instâncias políticas, de todos os quadrantes; contribui-se assim também para que durante um curto espaço de tempo dois filhos de uma mesma mãe se encontrem e se valorizem mutuamente.

  A participação em provas desportivas já atrás citadas, trazem ao clube resultados positivos, quer pelos lugares cimeiros alcançados, quer pelo convívio e competitividade saudável que essas proporcionam.

  A atestar esses resultados estão os troféus, taças e medalhas que se encontram expostos em vitrina própria, na actual sede da A. J. P.

   O colóquio "A comunicação social e as colectividades" serve de exemplo para realçar o papel que a nossa associação teve e tem na vida desportiva do concelho. Sendo notícia em toda a imprensa regional, quer pelas actividades desenvolvidas, quer pelos resultados alcançados, a A.J. P. é hoje referência quando se fala em desporto regional, como atestam os vários artigos que acerca dela foram e vão sendo escritos.

   Com o início da construção em 1979 do campo de jogos, vulgarmente chamado de "ringue" tem hoje um conjunto de potenciais estruturas essenciais à prática de algumas modalidades desportivas por parte dos seus associados e da população em geral.

   O futebol de salão tem assumido, nos últimos anos, um papel importante, principalmente com a realização do torneio e para o qual têm contribuído equipas do nosso concelho e de outros concelhos.

   A promoção dos valores que lhe deram origem encontram--se bem presentes nestas e noutras das suas realizações, prevalecendo sempre a promoção desportiva e cultural como sinal de civismo.

  Engana-se no entanto quem pensa ou roga morte prematura de um filho de tanta gente.

  Recentemente, no ano de 1989, iniciou-se a construção da sede da colectividade que se encontra ainda num estado que requer bastantes investimentos e para o qual as fontes de receita provenientes da Câmara Municipal, Instituto Português da Juventude e da Junta de Freguesia do Peso nem sempre são suficientes.

  A realização de festas em épocas próprias (Natal, Carnaval, Páscoa) é um contributo importante, se bem que insuficiente, para a realização de uma obra de tão grande importância.

 

 

 

 

Futuro

  A Associação da Juventude do Peso está equipada, a nível estrutural, com sede própria, pavilhão polivalente (em fase de acabamento) e campo de futebol (com instalações próprias).

  Para o arranque de todas estas estruturas, só possível com o apoio da Câmara Municipal da Covilhã, ADERES e Junta de Freguesia do Peso, que só têm valor quando postas ao serviço da população, estiveram envolvidos desde particulares que cederam parte das suas terras, outros que financeiramente, desde sempre, souberam valorizar uma obra de tão grande importância a nível local.

   Em fase de conclusão da cobertura do pavilhão polivalente, e devido ao facto destas terem interferido com a estrutura da sede social, torna-se pertinente que nesta sejam feitas obras de adaptação à nova realidade e que consistem no aproveitamento do piso superior da sede, antes uma esplanada enorme e que agora passa a ser um salão com potencialidades para o desenvolvimento Social, cívico e cultural desta instituição.

   Para tal está já a pensar-se na melhor maneira de pôr a funcionar um centro de informática com ligação à Internet, de molde a proporcionar aos jovens, principalmente aos de fracos recursos económicos, o contacto com a realidade do mundo virtual, tanto em moda hoje em dia.

  Numa perspectiva futura deverá haver a continuação da organização de provas desportivas e da participação nos eventos organizados pelas colectividades da região.

  Organização do campeonato da Escola de Karaté.

  Espectáculos de música, teatro e outras actividades afins, com particular destaque à criação de um grupo cénico, assim como de um grupo musical cujo repertório seja efectuado à base da música popular portuguesa.

  Colaboração em lançamento de livros de autores ligados ao Peso, assim como de exposições de pintura, cerâmica, escultura e outras actividades culturais.

 

 

 

 

APONTAMENTO FINAL

  Este trabalho foi elaborado pelos seguintes sócios da A.J. P.:

   -José Pereira dos Santos -Sócio n.º 16

   -José dos Santos Baptista -Sócio n.º 1

   -José dos Santos Vaz -Sócio n.º 74

   A coordenação e compilação dos mesmos foram solicitadas pelo actual elenco directivo ao sócio nº1

   Como coordenador deste trabalho, embora modesto, não posso terminar sem fazer referência a pessoas, que muito contribuíram para a A.J. P.

   Refiro-me ao saudoso Dr. António Gil Morão a quem, na minha opinião pessoal, o Peso lhe deve gratidão e manifestá – -la; ao ilustre médico Dr. Fernando Pereira Pires; ao incansável benemérito da colectividade Dr. José Martins Pires.

  Uma referência especial à Câmara Municipal da Covilhã pelo apoio às obras da A. J. P.

  Apoios também importantes e não esquecidos do Instituto Português da Juventude, da Junta de Freguesia do Peso e da

ADERES.

  Termino este trabalho com uma frase que escrevi no «Notícias da Covilhã» no dia 13 de Dezembro de 1975:

   Façamos do dia 16 de Outubro de 1975, dia oficial da criação da Associação da Juventude do Peso, uma data histórica para o PESO, assim como o dia 25 de Abril de 1974 o foi para PORTUGAL.



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Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2007
O Ramo na Quaresma

 

 



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Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007
Videos sobre o Peso

Para ouvir melhor o som dos vídeos deve desligar o som da página

 

 

 

 

 

 

 



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